16/02/2011

TRANSUBSTANCIAÇÃO - I


A CEIA DO SENHOR OU O SACRIFÍCIO DA MISSA?
UMA BREVE ANÁLISE HISTÓRICO-TEOLÓGICA SOBRE O
DOGMA DA EUCARISTIA

Pr. YURE GARCIA

Nenhuma outra questão no protestantismo, desde os primórdios deste movimento, ofereceu tantas dificuldades teológicas como a questão dos sacramentos. Todo o protesto da Reforma opunha-se fundamentalmente ao sistema sacramental do catolicismo romano. Em especial, a controvérsia em torno do Sacrifício da Missa e da Ceia do Senhor foi o mais longo e mais grave dos conflitos que eclodiram entre os seguidores da Reforma Protestante. Historicamente, este debate criou e continua criando separação entre vários grupos cristãos. Portanto, este é um assunto que, ao mesmo tempo, une ou divide a cristandade.

Breve Histórico

A eucaristia é um dos sete sacramentos da Igreja Católica Romana. A ceia do Senhor foi celebrada na forma original por doze séculos, mas no ano de 1200 A.D. o romanismo substituiu o pão sem fermento pela "hóstia sagrada".
No Concílio de Latrão em Roma (1215-1216 A.D.), o papa Inocêncio III deturpou as palavras figuradas de Cristo registradas no quarto evangelho "Isto é o meu corpo e isto é o meu sangue" criando o dogma da Transubstanciação. Em 1414-1415 A.D., no Concílio de Constança o papa João XXIII, retirou o vinho da cerimônia e as igrejas passaram a servir aos fiéis somente a hóstia, contrariando claramente a ordenança bíblica e o costume da igreja pós-apostólica de ministrar a ceia sob os dois emblemas, pão e vinho, como se percebe ao analisar os documentos patrísticos do primeiro século da era cristã. O Concílio de Trento (1545-1563 A.D.), em 1551, deu o golpe final contra a Ceia do Senhor, esclarecendo e aprovando definitivamente o dogma da Transubstanciação.
O que os cristãos modernos chamam normalmente de Santa Ceia, a igreja primitiva chamava de Eucaristia. A palavra "eucaristia" etimologicamente significa ação de graças. Pode ser considerado um nome judeu, uma vez que procede do termo original dado às orações de gratidão feitas por ocasião das refeições. A ceia judaica, portanto, é a primeira referência acerca do contexto original da eucaristia. Os teólogos católicos ainda hoje debatem entre si sobre a correta aplicação desse termo no "santíssimo sacramento". Além do Novo Testamento (NT), três escritores fazem referência à Ceia do Senhor em épocas anteriores à de Irineu. Dentre esses, o autor do Didaquê nos descreve a situação do cristianismo mais primitivo com uma liturgia simples de ação de graças. Os outros dois assumem um caráter bem mais místico. Segundo Inácio, a ceia é um "remédio de imortalidade e antídoto para não morrer, mas sim viver eternamente" (Aos Efésios, 20). Justino, por sua vez, concluiu: "pois não recebemos isto [a eucaristia] como se fosse pão ou bebida comum, antes, assim (...) é a carne e o sangue daquele Jesus que se fez carne por nós" (Apologia, 66).

Fica difícil decidir até que ponto essas concepções emanaram da influência das religiões de mistério, com sua idéia mitológica de que o participar de uma refeição com um deus significa tornar-se participante da natureza divina. Quando na época da festa de Corpus Christi, o "Santíssimo Sacramento" é levado às ruas em procissão dentro de uma patena de ouro representando o sol. Nisto, pode-se constatar uma flagrante analogia com as religiões pagãs da antiguidade. Conta-se que a deusa Ceres era adorada como a "descobridora do trigo" e representada com uma espiga nas mãos que correspondia à deusa Mãe e seu filho. O filho de Ceres, que se encarnara no trigo, era o deus Sol. Compare com a doutrina católica da transubstanciação que transformara Jesus num pedaço de pão de trigo no formato arredondado do sol, cujo ostensório também tem um desenho com raios solares.
A maioria dos adeptos da Reforma entendeu que o pão e o vinho apenas simbolizavam o corpo e o sangue de Cristo, negando a "presença real" nos elementos. Na época, o primeiro a propor essa interpretação de maneira fundamentada, foi o holandês Cornelisz Hendricxz Hoen. Os principais defensores da concepção simbólica da Santa Ceia foram: André Karlstadt, professor e colega de Lutero em Wittenberg; os reformadores suíços Ulrico Zwínglio, em Zurique, e João Ecolampádio, em Basiléia; e o teólogo leigo Gaspar Schwenckfeld, na Silésia (Alemanha).
Em seus escritos, Martinho Lutero refutava tanto a solução escolástica do problema, i.e., o dogma da transubstanciação, como a doutrina atribuída ao teólogo inglês João Wyclif, de que na Santa Ceia haveria mero pão e vinho.
As oblações eucarísticas de pão e vinho oferecidos a Deus, eram consideradas pela igreja romana como o "sacrifício puro". Diversos foram os fatores que contribuíram para o desenvolvimento de uma compreensão realista da Ceia do Senhor como sacrifício:
A luta contra o docetismo (gnosticismo cristão) trouxe, como conseqüência, uma ênfase crescente a realidade da paixão de Cristo retratada na Ceia;
O fato sempre presente do martírio cristão intensificava o sentido sacrifical da eucaristia;
O cristianismo surgiu num mundo em que as concepções sacrificais eram comuns em quase todas as religiões;
A presença do sacerdote como mediador entre Deus e o povo pressupunha a necessidade implícita de um sacrifício.

Contudo, foi apenas no tempo de Cipriano que a concepção da ceia como um sacrifício real oferecido a Deus pelo sacerdote, alcançou o estágio pleno do seu desenvolvimento. Segundo ele, a função do sacerdote é "servir ao altar e celebrar os sacrifícios divinos" (Cartas, 67:1). Na missa, o sacerdote atua in persona Christi, i.e., assumindo ativa e deliberadamente o lugar de Cristo. Na época de Tertuliano, o sacrifício eucarístico também era celebrado em comemoração e a favor dos mortos.
Os pontos centrais da teologia católica da eucaristia, já estavam estabelecidos por volta do ano 253 A.D., apesar de muitos pormenores ainda hoje estarem obscuros na mente da comunidade laica em geral.

Principais Concepções Sobre A Ceia Do Senhor

Concepção Católica Romana Tradicional

Divide-se em basicamente três princípios:
1o – A transubstanciação é a doutrina de que quando o sacerdote oficiante consagra os elementos, ocorre uma verdadeira mudança metafísica. As substâncias do pão e o vinho – o que de fato são – transformam-se respectivamente na carne e no sangue de Cristo. Nota-se que a mudança é na substância ou na essência, não nos acidentes. Assim, o pão e o vinho mantêm as suas formas originais, a textura, o sabor, etc. Mas o Cristo por inteiro está plenamente presente em cada uma das partículas da hóstia. Todos os que participam da Ceia do Senhor, ou da santa eucaristia, como é denominada, ingerem literalmente o corpo físico e o sangue de Cristo.

2o – A ceia abrange um ato sacrifical. Na missa um sacrifício real é novamente oferecido por Cristo em favor dos adoradores. É um sacrifício (gr. thysia) no mesmo sentido em que foi a crucificação. No culto da Igreja de Roma o sacrifício da missa é o ponto central.

3oSacerdotalismo: a idéia de que um sacerdote devidamente ordenado deve estar presente para consagrar a hóstia.
*Suma: O pão e o vinho são o corpo e o sangue físico de Cristo.

Concepção Luterana
Manteve a concepção católica de que o corpo e o sangue de Cristo estão fisicamente presentes nos elementos. Mas Lutero negou o dogma da transubstanciação. As moléculas não são transformadas em carne e sangue, mas o corpo e o sangue de Cristo estão presentes "em, com e sob" o pão e o vinho. Ë o que se conhece hoje sob o termo de consubstanciação, o qual, na realidade, não foi inventado por Lutero, apesar de muitos estudiosos atribuírem-no a ele. Lutero rejeitou o conceito da missa como um sacrifício e a idéia do sacerdotalismo.
*Suma: O pão e o vinho contêm o corpo e o sangue físico de Cristo.

Concepção Reformada ou Calvinista
Cristo está presente na ceia, mas não em forma física ou corpórea, antes, sua presença no sacramento é espiritual e/ou dinâmica. Segundo Calvino, assim como o sol permanece no céu, e seu calor e luz atingem a Terra, Cristo também estando no céu, se faz presente na ceia como influência real. Há um genuíno benefício objetivo no sacramento.
*Suma: O pão e o vinho contêm espiritualmente o corpo e o sangue de Cristo.

Concepção Zwingliana
A ceia do Senhor é apenas uma comemoração, um memorial. Possui um caráter simbólico e representativo. Esta idéia costuma ser associada à Ulrich Zwinglio. O valor do sacramento está simplesmente em receber pela fé os benefícios da morte de Cristo. Assim, a ceia é, em essência, uma comemoração e um memorial do sacrifício do Senhor Jesus Cristo.
*Suma: O pão e o vinho representam o corpo e o sangue de Cristo.

Declarações da Igreja Católica Romana sobre a Eucaristia, extraídas do seu Catecismo Oficial

"O sacrifício de Cristo e o sacrifício da Eucaristia são um único sacrifício". (p. 376)
uma só e mesma vítima, é o mesmo que oferece agora pelo ministério dos sacerdotes, que se ofereceu a si mesmo então na cruz. Apenas a maneira de oferecer difere". (p. 376)
"E porque neste divino sacrifício que se realiza na missa, este mesmo Cristo, que se ofereceu a si mesmo uma vez de maneira cruenta [com sangue] no altar da cruz, está contido e é imolado de maneira incruenta [sem sangue], este sacrifício é verdadeiramente propiciatório". (p. 377)
"No santíssimo sacramento da Eucaristia estão contidos verdadeiramente, realmente e substancialmente o Corpo e o Sangue juntamente com a alma e a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, o Cristo todo". (p. 379)
Pela consagração do pão e do vinho opera-se a mudança de toda a substância do pão na substância do Corpo de Cristo Nosso Senhor e de toda a substância do vinho na substância do Seu Sangue; esta mudança, a Igreja Católica denominou-a com acerto e exatidão transubstanciação". (p. 380)
"Com efeito, toda vez que é celebrado este mistério [a eucaristia], opera-se a obra da nossa redenção". (p. 389)
"Visto que Cristo mesmo está presente no sacramento do altar, é preciso honrá-lo com um culto de adoração". (p. 390)
"A Igreja Católica professou e professa este culto de adoração que é devido ao sacramento da Eucaristia, (...) expondo-as [as hóstias] aos fiéis para que as venerem com solenidade". (p. 380, 381)
Pode-se inferir a partir dessas declarações incisivas, as seguintes conclusões a respeito da concepção católica sobre a ceia do Senhor:

A eucaristia é um sacrifício real e propiciatório, para a expiação de pecados, para a reconciliação com Deus e para assegurar as bênçãos providenciais e graciosas de Suas mãos;
O que é oferecido na missa é o Cristo todo, seu corpo, alma e divindade, tudo que está presente fisicamente sob a forma de pão e vinho. O sacrifício eucarístico, portanto, é equivalente ao sacrifício da cruz, sendo aquele (o da missa) uma constante repetição deste (o da cruz);
Cristo se ofereceu uma vez na cruz, e Ele se oferece diariamente na missa por mediação do sacerdote que "cria Deus" na hóstia.

CONCLUSÃO
A Ceia do Senhor é um memorial da morte de Cristo e de seu caráter sacrifical em nosso favor, um símbolo de nossa ligação vital com o Senhor e um testemunho de Sua segunda vinda. Quando ministrada de modo adequado, a Santa Ceia é um canal para inspirar a fé e o amor do crente, à medida que ele volta a refletir sobre a maravilhosa realidade da morte e ressurreição do Senhor e sobre o fato de que os que nEle crêem têm a vida eterna.
Como, portanto, entender a Ceia do Senhor? Como um momento de relacionamento e comunhão com Cristo. Devemos pensar na ordenança não tanto como uma "presença real" de Cristo, mas, sobretudo como uma promessa e potencial de um relacionamento mais íntimo com Ele.
O efeito da ceia no crente deve ser proporcional à fé demonstrada pela pessoa e de sua reação ao que se apresenta no rito. Por isso, uma compreensão correta do significado da Santa Ceia do Senhor e uma resposta apropriada de fé são extremamente necessárias e indispensáveis para que seja alcançada toda a eficácia desta ordenança sagrada instituída e estabelecida pelo próprio Senhor, "até que Ele venha".

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BETTENSON, H. Documentos da igreja cristã. ASTE: São Paulo: 1998.
CAIRNS, Earle E. O cristianismo através dos séculos: uma história da igreja cristã. Vida Nova: São Paulo, 2004.
Catecismo Oficial da Igreja Católica Romana
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CHAMPLIN, Russel N. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. Vol V. Hagnos: SP, 2001.
ERICKSON, Millard J. Introdução à teologia sistemática.Vida Nova: São Paulo, 1992.
HODGE, Charles. Teologia Sistemática. Hagnos: São Paulo, 2001.
Martinho Lutero: obras selecionadas
. Vol IV. Comissão Interluterana de Literatura. São Leopoldo – RS, 1993.
MARTINS, Raphael Gioia. Ceia ou missa? À luz da bíblia e da história. Livraria Independente Editora: São Paulo, 1962.
Nisto Cremos. Ed. Rubens Lessa. Casa Publicadora Brasileira: Tatuí – SP, 1990.
SKARSAUNE, Oskar. À sombra do templo: as influências do judaísmo no cristianismo primitivo. Editora Vida: São Paulo, 2001.
TILLICH, Paul. A era protestante. Ciências da Religião: São Paulo, 1992.
WALKER, Williston. História da igreja cristã. JUERP/ASTE: Rio de Janeiro e São Paulo, 1983.

SOBRE A POSIÇÃO DE ORAR





Algumas pessoas no desejo de obedecer estritamente o que Deus ordena têm tomado textos sobre a oração de joelhos da Bíblia e do Espírito de Profecia e tentado provar que somente de joelhos a oração é aceitável a Deus.
Ora, um texto, fora do seu contexto só dá margem a um pretexto, por isso faremos neste breve estudo uma abordagem visando dar uma visão geral do assunto na Palavra de Deus e no Espírito de Profecia, a fim de que a compreensão correta possa ser conseguida por todos e os pontos de vista unilaterais sejam abandonadas.
O que precisamos saber está no roteiro que seguiremos nestes estudos:
I - O que a Bíblia diz.
II - O que E.White diz.
III - O que E.White fazia:
IV - Um caso especial em M.E. vol.11,311.
- A conclusão
I - O QUE A BÍBLIA DIZ
A Bíblia é quem estabeleceu a nossa doutrina, por isso precisamos saber sua posição sobre o assunto em primeiro lugar, ela no ensina a orar em várias posições:
1. De joelhos - conforme o exemplo de vários personagens bíblicos. Veja Dan.6:10, I Cor.14:25; Esdras 9:5; Lucas 22:41 Atos 7:60, etc.
2. Em pé - conforme outros exemplos, que na maioria das vezes são esquecidos.
a) Simeão orou em pé. Lucas 2:27-35
b) Jesus ao ressuscitar Lázaro orou em pé. João 11:41-42.
c) Ana orou em pé. I Samuel 1:9,10 ( a versão da Bíblia Almeida Atualizada é mais clara).
O fariseu e o publicano justificado oraram em pé e Deus não olhou a posição física, mas o estado do coração. Lucas 18:11-14.
Aliás ao Jesus contar esta História mostrou que era normal, na sua época, os homens orarem no templo em pé.
e) Salomão fez a benção inicial no templo em pé. I Reis 8:14 e II Crôn.6:3
f) Salomão fez a benção final no templo em pé. I Reis 8:55-61
g) Durante a oração Salomão estava de joelhos (II Crôn.6:13)mas, o povo ficou em pé e só ajoelhou quando caiu fogo do céu como sinal de que Deus ouviu a oração. II Crôn.7:1-3. Os sacerdotes e os cantores estavam em pé. II Crôn,7:6
h) Neemias que orou a Deus diante do Rei Artaxerxes, estava em pé. Neemias 2:4.
Estas orações foram feitas em pé e Deus as ouviu, mesmo quando feitas no templo.
II Vejamos agora o que E.White diz.
O QUE E.WHITE DIZ (Como regra geral)
"Para orar não é necessário que estejais sempre prostrados de joelhos. Cultivai o habito de falar com o Salvador quando sós, quando estais caminhando, e quando ocupados com os trabalhos diários". A Ciência do Bom Viver, pág. 511.
Portanto ela diz:
a) Nem sempre é preciso estar de joelhos para orar. Veja ME, 266:1.
b) Pode-se orar a sós sem ajoelhar. CBV, 511 C. Cristo, 99.
c) Pode-se orar caminhando pelas ruas em meio ao barulho do povo. CBV,511; Obreiros Evang. 258 C. Cristo 99.
d) Pode-se orar trabalhando em meio a transações comerciais e o barulho das máquinas. CBV,511 C. Cristo 99; O.E.,258.
III - O QUE E.WHITE FAZIA:
a) Orava na igreja de joelhos. ME III, 267:2.
b) Orava com a igreja sentada. ME 111,267:3 e ME, I, 147.
c) Orava com a igreja em pé. ME III, 268:1 a 270
IV - UM CASO ESPECIAL
Porque então em Mensagens Escolhidas, vol.II, pág,311 é declarado a alguém que orou em pé:
"Prostre-se de joelhos! Esta é sempre a posição apropriada". 2ME, 311.
"Quando em oração a Deus, a posição indicada é prostrada de joelhos” 2ME, 11, 312.
a) Esta não é sempre a posição apropriada como já vimos pela Bíblia e pelas declarações e exemplos da própria E.White.
b) Ela estava repreendendo alguém que fora educado em Battle Creek e de lá vinha um espírito de desafio à obra e falta de reverência.
Lá as influências como as do Dr. J.H. Kellog diziam que Deus era uma energia que permeava a natureza. Note como ela relaciona a postura da pessoa que orou com Battle Creek e os professores do Colégio. 2ME, 311:1; 313:2 e 314:2. Na realidade aquela pessoa que orou em pé era apenas um representante de uma filosofia que estava existindo em Battle Creek, daí a denúncia. "E quando vos reunis para adorar a Deus, não deixeis de vos prostrar de joelhos diante dele". 2ME, 314.
c) O que realmente importava era a humildade interior, pois o exemplo que a irmã White usa nesse mesmo trecho do seu escrito, é o de Lucas 18:9-12. O fariseu estava em pé com o coração exaltado. Ela nos aconselha a nos prostrar como o publicano que apesar de ficar em pé fisicamente estava prostrado interiormente, e desceu justificado. Mens.Escolhidas II,313:3,4 e 314:0; Parábolas de Jesus, 151.
d) O objetivo era combater a imponência e o espírito irreverente que estava sendo cultivado por pessoas de B.Creek e não era intenção dar regra geral.
e) Por outro lado ela mesma, muitas vezes declarou que podemos orar, andando, trabalhando, ou mesmo quando a sós sem ajoelhar,etc. Veja Mens. Esc.II,316:2,3,4.
f) Ela mesma orou muitas vezes com toda congregação em pé ou sentada. Veja ME. III, 26.
Conlusão:
1. A Bíblia autoriza orar em pé como vimos Luc.18:11-14 (O Publicano orou em pé).
2. E.White declara que nem sempre é preciso estar de joelhos. C.C. 99.
3. Ela dizia poder-se orar, andando, trabalhando ou a sós sem ajoelhar. CBV.511
4. Ela mesma orou em pé e com a igreja sentada e ajoelhada.
5. Em Mens.Escolhidas II, 311 é relatado um caso especial de pessoas que alimentavam a importância e exaltação própria em B.Creek e o irmão que orou estava imbuído dessa orientação.
Além do mais nessa mesma ocasião ela cita a oração do fariseu e do publicano, dizendo que não devemos imitar o fariseu, mas o publicano e este estava fisicamente em pé.
6. A igreja ASD faz a oração principal de joelhos, mas durante o culto, admite oração em pé e sentados, em harmonia com a Bíblia e o Espírito de Profecia quando entendidos da maneira correta.
Se a oração é a respiração da alma não devemos limitar a oração para quando estivermos de joelhos, mesmo quando na igreja.
Oremos sem cessar, andando, sentados, em pé ou de joelhos, onde quer que estivermos. I Tess.5:17.
Pr. Demóstenes Neves – SALT/IAENE

15/02/2011

O DESAFIO DA EVANGELIZAÇÃO NAS GRANDES CIDADES




- Alguns dados importantes
- em 1850, menos de 3% da população mundial vivia em cidades.
- No ano 2000 estima-se que mais de 50% da população viverá nas cidades
- Em 1950 havia somente sete cidades com mais de 5 milhões de habitantes
- No ano 2000 estima-se que 93 cidades terão mais de 5 milhões de habitantes e mais de 300 terão um milhão ou mais de habitantes
- 80% das megalópoles estarão na Ásia, África e América Latina
I. A TEOLOGIA DA CIDADE

1. As cidades na Bíblia
a) Sinônimos de maldade e pecaminosidade
- Sodoma e Gomorra
- Babilônia, a real e a simbólica
b) A atitude de Deus para com as cidade
- Desejo de que se arrependam e se salvem – Jonas 4:11
- Jesus chorou sobre Jerusalém – S. Mateus 23:37
- Possibilidade de salvação através da oração intercessória dos justos – Gênesis 18:22-23
II. ELLEN WHITE E A PREOCUPAÇÃO PELAS CIDADES

1. Uma tarefa prioritária à qual não se dava a devida importância
“Trabalhai pelas cidades sem demora pois o tempo é curto. O Senhor tem posto essa tarefa diante de nós nos últimos 20 anos ou mais. Algo tem sido feito em uns poucos lugares, porém se poderia fazer muito mais. Tenho uma carga que me oprimi dia e noite pelo pouco que se faz para admoestar aos habitantes de nossos grandes centros populacionais, acerca dos juízos que cairão sobre os transgressores da lei de Deus”. Carta 168, 1909
“Olhai nossas cidades e suas necessidades do evangelho. A necessidade de trabalhar fervorosamente entre as multidões das cidades me tem sido mostrada por mais de 20 anos. Quem está levando uma carga por nossas grandes cidades?” General Conference Bulletin 1909, pp. 136, 137

2. Alguns métodos e estratégias sugeridas
a) Eleger homens de capacidade especiais
“O Senhor deseja que proclamemos, com poder, a mensagem do terceiro anjo, nestas cidades. Não podemos, por nós mesmos, exercitar este poder. Tudo quanto podemos fazer é escolher homens capazes e instar para que vão a tais lugares de oportunidade...”
“A habilidade de orador que possui o pastor Prescott é necessária para apresentar a verdade nas zonas urbanas. Quando a verdade for apresentada nas zonas urbanas, as zonas rurais se tornarão receptivas a ela e realizar-se-á uma obra extensa.” Carta 168
b) Iniciar a evangelização em várias frentes
- A missionologia moderna a denomina “estudos de receptividade e resistência”
“Agora é o momento oportuno de evangelizar as cidades. Temos que alcançar o povo que nelas reside... Agora, nas principais cidades deve ser despertado o interesse. Muitos pequenos centros devem ser estabelecidos, de preferência a alguns poucos grandes...” Evangelismo, p. 78
c) Estabelecer bem a igreja antes de mover-se a outro lugar
“Nas séries de conferências realizadas nas grandes cidades, a metade do trabalho se perde porque eles (os obreiros) encerram as atividade muito cedo e vão para outro território novo... A pressa em encerrar logo uma série de conferências tem produzido, muitas vezes, grandes perdas.” Evangelismo, p. 42
d) Fazer um estudo das necessidades da população
“Não menos de sete homens devem ser escolhidos, para que assumam as grandes responsabilidades da obra de Deus nas cidades populosas... Qual deve ser o trabalho destes homens sete homens? Devem investigar as necessidades das cidades e empregar os mais decididos e fervorosos esforços no sentido de desenvolver a obra.”

“Quem dera que pudéssemos ver as necessidades destas grandes cidades como Deus as vê! Devemos planejar colocar nestas cidades homens capazes...” Evangelismo, pgs. 37-38

CONCLUSÃO
- A Sagradas Escrituras apresentam a preocupação da Divindade pelas grandes cidades
- Esta preocupação é confirmada pelo Espírito de Profecia
- A tendência atual da população mundial de centrar-se mais e mais nas grandes cidades, faz com que a preocupação da Igreja também se manifeste no evangelismo urbano
- Em abril de 1990 a Associação Geral organizou o Instituto para a Missão Urbana. O propósito desse departamento foi estabelecido no acordo a AG:

1. Estudar seriamente o evangelismo urbano, a natureza da vida na cidade e seus resultados.
2. Dar apoio e animar projetos missionários que tenham como alvo as áreas urbanas ainda não alcançadas.
3. Prover materiais e informações para os ministros urbanos e suas igrejas.

General Conference 1990: 89/136

FONTE: Instituto de Crescimento de Igrejas do SALT-IAENE